segunda-feira, 1 de julho de 2019

O vinho no acordo entre Mercosul e União Europeia

Europa cedeu em carne, Mercosul em vinho

Nos lances decisivos de uma barganha que se estendeu por 20 anos, a União Europeia (UE) arrancou do Mercosul concessões nas rubricas de compras governamentais e vinho. No sentido inverso, os sul-americanos obtiveram condições vantajosas para vender carne e açúcar ao agora bloco parceiro.

Na noite de sexta (28), os europeus se congratulavam pelo fim de um fardo tarifário de mais 4 bilhões de euros (R$ 17,4 bilhões). O montante corresponde aos impostos que deixarão de ser pagos para entrar nos territórios brasileiro, argentino, uruguaio e paraguaio.

A poupança representa o quádruplo da possibilitada pelo alardeado acordo entre UE e Japão, firmado há quase um ano.

A relação de itens beneficiados pela diminuição de tarifas inclui carros(hoje sujeitos a alíquotas de importação de 35%), peças automotivas (até 18%), artigos de vestuário e calçados (35%) e produtos farmacêuticos (até 14%) –esses últimos lideraram com folga as compras brasileiras em 2018.

No setor agrícola, diminui a taxação de chocolates (hoje em 20%) e vinhos (27%), por exemplo. Além disso, os laticínios europeus deixam de ser tarifados, dentro de uma cota pré-estabelecida (não divulgada na sexta).

Pelo lado sul-americano, segundo dados do governo brasileiro, 90% das exportações do bloco para a UE não pagarão tarifas, em um prazo de até dez anos –hoje, só 24% do que o Brasil vende aos europeus tem essa prerrogativa. ​

Os outros 10% gozarão de acesso preferencial ao mercado dos 28 países-membros da UE, seja por meio de alíquotas reduzidas, seja por cotas especiais.

No primeiro grupo, o dos que terão o imposto zerado, entram frutas, peixes, crustáceos e suco de laranja. O café em grão, que respondeu por 5,5% das exportações brasileiras para a UE em 2018, e os óleos vegetais também entram aqui.

Já as carnes bovina e de aves, além do etanol e do açúcar sul-americanos, entrarão na Europa respeitando cotas.

“Onde nós não ganhamos em volume, ganhamos em tarifas”, disse a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, ao responder a um questionamento sobre o teto para as vendas de carne de boi (99 mil toneladas por ano), inferior ao que havia sido aventado em fases anteriores da negociação.

Segundo o ministério, 40% das exportações brasileiras desse produto para a UE poderão se beneficiar da tarifa zero intracota.

Para a totalidade dos produtos industriais que o Brasil vende ao bloco europeu também não haverá imposto.

Na seara da proteção a artigos identificados com regiões específicas, o pacto prevê que 357 itens europeus sejam resguardados de cópias genéricas nos trópicos. Constam da relação o queijo comté (França) e o prosciutto de Parma (Itália), entre outros.

No sentido inverso, haverá barreiras ao uso da designação de cachaça para aguardentes produzidas fora do Brasil, assim como dos nomes de certos queijos.

Já na rubrica das compras governamentais, liberalizou-se a participação de atores estrangeiros em concorrências além-mar, ponto em que a UE insistia.

Além disso, o documento acertado nesta sexta terá um capítulo só sobre desenvolvimento sustentável, cobrindo a conservação de florestas e a adesão dos signatários ao Acordo de Paris sobre a mudança climática.

Nos dias que antecederam à conclusão do pacto de livre-comércio, o presidente da França, Emmanuel Macron, e a chanceler alemã, Angela Merkel, haviam expressado preocupação com a política ambiental do governo brasileiro.

Por Lucas Neves

Fonte: Jornal Folha de São Paulo

segunda-feira, 22 de abril de 2019

CONHEÇA A VENDIMIA, FESTIVAL DA COLHEITA DA UVA QUE ANIMA O OUTONO NO CHILE

Assim como o ciclo da uva se renova ano após ano, a Vendimia, festival que celebra a época de colheita da fruta, também apresenta boas surpresas a cada ano em diversas regiões produtoras de vinhos no Chile. As festas começaram em março, mas estendem-se até meados de maio nos vales que percorrem toda a extensão do país – desde Codpa, no norte, até Malleco, no sul.

Mais do que uma tradição secular, as Vendimias tornaram-se atrações turísticas. Cada um dos vales chilenos organiza seu próprio festival, realizado em lugares públicos como parques, praças ou até construções históricas. A atração principal é a degustação de vinho: você adquire uma taça especial do evento e pode experimentar as bebidas produzidas pelos vitivinicultores locais. As estrelas são o robusto cabernet sauvignon, o suave e frutado merlot ou ainda o carmenére, um dos símbolos da viticultura chilena.

Apesar disso, o evento não se baseia apenas nos vinhos. As festas também contam com danças tradicionais – como a Cueca –, barracas de comida comandadas por chefs locais, artesanato e muitas outras atividades.

Uma das atrações mais famosas é a pisa das uvas, prática hoje folclórica que homenageia um dos métodos mais tradicionais da produção do vinho. Na pisa, os participantes esmagam as frutas com os pés para extrair o suco da uva, que posteriormente é fermentado e, assim, transformado em vinho.

O Chile se prepara para a fase final de suas colheitas, e duas Vendimias devem atrair visitantes nos meses de abril e maio; confira abaixo:

Vendimia de Pirque - dias 27 e 28 de abril

Os viticultores do Pirque, comuna do Vale do Maipo localizada a menos de meia hora de Santiago, realizam a celebração da colheita da uva no último fim de semana de abril. Não é só pelos vinhos, mas também por sua história que a região merece destaque: foi lá que aconteceu a primeira Vendimia do Chile, em 1551, o que inclusive originou o nome do festival - “La Vendimia 1551”.

O evento acontece no belo Las Majadas de Pirque, palácio datado de 1907 e que chama atenção por sua imponente arquitetura colonial.

Entre os vinhos, destacam-se na região os Cabernet Sauvignon, considerados entre os melhores do país, embora também sejam produzidos os tintos Merlot e Carménère, e ainda o branco Chardonnay. Durante a visita ao Pirque, os visitantes podem aproveitar para percorrer as diversas vinícolas do vale em passeios de bicicleta.

Vendimia de Codpa - 17, 18 e 19 de maio

O Vale de Codpa, no extremo norte do Chile, bem próxima de Arica, celebra todos os anos uma das Vendimias mais antigas do país. Além dos três dias em que acontece o festival, a região passa todo o mês de maio em festa, com espetáculos de grupos folclóricos nacionais, atrações culturais e pisas de uva para todos os visitantes.

O doce e inconfundível vinho Pintatani coroa a celebração. O preparo artesanal da bebida e a característica adocicada da bebida são marcas registradas da região, além das técnicas de cultivo que os colonos espanhóis desenvolveram ao chegaram ao vale verde no meio da aridez do deserto do Atacama. Hoje são poucas as famílias que continuam com a tradição de fermentar este doce vinho, mas os visitantes podem conhecer as técnicas durante os dias de festejo.